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Transubstanciar Entrevista Hugo Canuto


T:Estamos aqui com Hugo Canuto, quadrinista independente, que lançou no FIQ-2015 a revista “A Canção de Mayrube”. Tudo bem?

HC: Como vai João, é um grande prazer estar aqui.

T: A Canção de Mayrube é sua primeira HQ?

HC: Embora tenha participado da coletânea Máquina Zero, a Canção de Mayrube é minha primeira HQ Autoral. Veio de um projeto iniciado há alguns anos. Sempre gostei de mitologia e dentro dos quadrinhos, eram personagens como Thor e Conan que interessavam mais. Queria produzir algo nosso, que se relacionasse com o Brasil. Foi quando tive uma experiência em 2007, ao visitar um aldeia indígena no norte da Bahia e descobri que meu avô materno nasceu naquele lugar.

Logo comecei a estudar as culturas e histórias da América Latina, dos primeiros povos, e Mayrube surgiu desse processo de investigar as nossas raízes, bebendo da cultura mesoamericana, africana e basco-ibérica. Fui pesquisando com o tempo, e após alguns anos surgiram mais de mil páginas com mapas, personagens, argumentos...então resolvi produzir uma revista com o início do projeto, publicada agora em 2015 no FIQ e na CCXP.

Em 2016 lançaremos uma história completa, com cerca de 64 páginas, feita completamente no método tradicional, em aquarela e nanquim.

T: A partir de 2009 houve uma proliferação de artistas independentes no Brasil. Na sua visão como autor, essa quantidade de lançamentos ajudou ou dificultou, ao elevar o padrão do que é produzido?

HC: Acho que a evolução do mercado nos últimos anos vem se mostrando uma retomada de algo que há 20 anos era muito popular no país. Esse processo é fruto de um casamento entre fatores diversos, como o crescimento da economia, a queda de custos gráficos, a alternativa da mídia digital com todas as suas possibilidades, a consolidação das escolas de arte voltadas para as HQS, novas editoras com interesse em investir na área, o advento das MSPs...então acredito que se esses fatores continuarem evoluindo, o mercado estará mais solido a médio prazo, com um desenvolvimento a nível nacional, repercutindo na qualidade dos artistas e seus projetos.

T:Nesse mesmo período, houve também um movimento crescente de mulheres fazendo quadrinhos. Qual a sua opinião a respeito disso?

HC: Incrível! Porque o mercado brasileiro, de certo modo, foi muito influenciado pelos Comics americanos, pela figura do super-herói. São produtos que têm suas virtudes, mas privilegiaram pouco o olhar feminino, e acredito que essa postura durante muito tempo reverberou na produção do país.

A atuação de criadoras femininas nos quadrinhos vai ampliar o leque tanto de publico quanto das publicações, pois trazem visões críticas, engajadas e acredito na diversidade. Quando você pensa nos Mangás, por exemplo, existem revistas para quem gosta de futebol, para quem gosta de gastronomia, e por ai vai...nós temos que seguir essa linha e também diversificar o público. Assim, a visão feminina vêm agregar e ampliar as possibilidades.

T:Legal. E quanto ao crowdfunding, como kickstarter e Catarse, você já usou, tem interesse?

HC: Temos interesse sim, estamos ponderando essa questão do Catarse. Se planejado com antecedência, tem uma capacidade enorme de construir uma relação com o público, porque o consumidor final já conhece você, não é chegar na banca, na livraria e apostar na sorte do cara ter que escolher, facilitando o acesso.

T: Pretende transformar em Animação ou Não?

HC: Sempre existe o sonho de levar o projeto pra outras mídias, estamos conversando com editoras em relação a RPG, porque o mundo que criei é fruto de pesquisas extensas. Desde as armas, relações culturais, reinos e povos, a ideia de licenciar pra outras áreas existe.

T: A revista lançada no FIQ também sairá em versão digital?

HC: Somente física, mas quem comprar mais de 2 exemplares ganhará uma versão em PDF com extras do projeto, mostrando um pouco do processo criativo, do que está por vir no próximo semestre.

T: No caso, Mayrube se relaciona com a Mitologia, e Fantasia. Mas você teria interesse, por exemplo, em trabalhar com o gênero terror?

HC: Quadrinho de terror, é um gênero com muitas possibilidades. Tenho interesse em desenhar outros roteiros. Por exemplo, a história da Máquina Zero mistura Ficção Científica com Comédia do Absurdo. Atuar em outras propostas é sempre bem-vindo, gosto de ser versátil.

T:Obrigado.

HC: Obrigado João, tudo de bom para você.

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