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Transubstanciar Entrevista Cátia Ana e Heluiza Brião


T: Estamos aqui com Cátia Ana e Heluiza Brião, duas autoras de quadrinho independente, tudo bem?

CA/HB:Tudo joia.

T: Então de 2009/2010 em diante a gente tem tido uma proliferação no cenário brasileiro. Para vocês como autoras isso ajuda, isso dificulta ou isso cria um tipo de nota de corte porque você tem que ter pelo menos isso pra produzir independente?

CA/HB: Achamos que ajuda, porque quanto mais gente produzindo mais gente consumindo. Qualquer lugar vai ter uma demanda por um material bom. Isso é normal, os bons trabalhos permanecem e acabam criando uma cultura do consumo.

T:Legal,eu falei com o Marcatti,mais cedo hoje, e ele falou que o quadrinho brasileiro em geral,ele sobrevive de BOOMS,ele teve o BOOM dos anos 80 de quadrinho de humor,dai ele teve o BOOM de quadrinho de terror,e atualmente a gente tem um "BOOM" de quadrinhos independentes,dai vocês acham que daqui em diante vai continuar ,vai acabar daqui um tempo ,ou vai virar outra coisa?

CA/HB: Sinceramente não dá pra prever. Ao invés de ficarmos pensando se esse “BOOM” vai continuar, vamos produzir e aproveitar o fluxo da produção que vai acabar direcionando o caminho. Muitos desses independentes vão ser publicados por editoras, mas em eventos como o FIQ eles vão continuar trazendo material independente porque a produção independente não tem tanta preocupação com o lucro quanto as editoras.

T:E vocês como mulheres quadrinistas já sofreram algum preconceito por causa disso?

CA/HB: Pessoalmente, não. A Cátia num evento que ocorreu em Goiânia, o GO!HQ, viu uma cena curiosa. Tinha uma menina do lado dela que estava vendendo um manga erótico, bem bacana. Chegou um cara e falou: “Mas eu vou comprar e vou ficar pensando que foi uma mulher que fez?” Achamos nada a ver, porque se a história é boa tanto faz o gênero do autor.

T:Porque na verdade,a gente tem mesmo como sociedade que não é nem machista,mas é uma coisa retrógada ,mesmo que por exemplo : Gibi é coisa de criança , uma coisa que muita gente fala po,você ainda le historía em quadrinhos com X anos ,você fala po,não é bem assim,gibi é coisa de moleque,videogame é coisa de moleque,mas é como dizem por ai,você pode dizer uma verdade ,uma vez ,ela não cola,porque se você dizer uma mentira ,mil vezes ela cola,então é o tipo da coisa que veio meio que enraizado,na sociedade ocidental como um todo,porque a Oriental a ideia era completamente outra,a gente tá na verdade tendo esse movimento de mulheres quadrinistas e isso é muito bom,porque como vocês falaram,a gente tem visões de mundo diferente,porque você pode pegar qualquer mídia,visão de mundo diferente ela abre o leque de opções ,ela não diminui,porque tem muita gente que fala que eu vou diminuir minha visão por que vou ver isso do lado X,porque pra mim,particularmente,pessoalmente ,não tem muito a ver.

Qual é a Opinião de vocês?

CA/HB: Determinadas histórias alcançam uma universalidade que todo mundo se identifica. Um quadrinho que trate dos dilemas de uma personagem feminina não necessariamente implica que só mulher vai ler. Ás vezes se a história fala de temas universais ela acaba atingindo qualquer público. Isso é legal no quadrinho autoral, você poder mostrar sua visão de mundo e, como cada pessoa tem sua própria visão de mundo, você acaba vendo várias histórias sob várias perspectivas. No geral os quadrinistas homens são super receptivos, alguns leitores podem esperar histórias fofas por sermos mulheres e se surpreenderem quando apresentamos um traço mais neutro. É uma questão de costume mesmo, precisamos abrir a cabeça e ver que é normal, assim como homens podem fazer quadrinhos mais delicados e tal.

T:Legal,e no caso vocês tem interesse ou já chegaram a conversar com vocês sobre algumas das obras em Animação?

CA/HB: Não, porque são linguagens diferentes, e quando criamos, já pensamos nelas no formato do quadrinho mesmo. Nossa paixão são os quadrinhos, as características de um e outro são bem distintas, como o tempo da narrativa por exemplo.

T:Legal,e no caso vocês tem interesse em fazer outros gêneros tipo Capa e Espada,Faroeste?

CA/HB: Sim, claro. Mas vai depender muito das histórias que surgirem, não nos prendemos a estilos. A Helu, por exemplo, tem um blog de histórias sobrenaturais, o Manuscritos das Sombras, que não é capa e espada mas ela e o outro autor brincam muito com o sobrenatural e tem guerreiras e situações de ação.

T:Legal,no caso aqui,vocês tem as versões físicas e a versão digital também?

CA/HB: Sim,a Pequi com Quadrinhos é somente impressa, assim como a QICO. O trabalho da Cátia é 80% digital e tem uns 20% impresso. A Heluiza, aqui no FIQ, lançou os zines Fuga Urbana, que posteriormente vai adaptar pra leitura na internet.

T:Legal,e no caso além da Animação vocês já pensaram em adaptar pra uma peça de Teatro?

A peça de Teatro ,e como se fosse um roteiro de Cinema,mas você não tem aquela coisa de angulo de câmera,e mais tipo você foca mais nas falas,no roteiro,mas se vocês tivessem como acompanhar o processo,então seria mais por exemplo: é um quadrinho e você pode lançar uma série de livros baseado nisso? Eu sei como é que é ,eu tenho tipo 37 livros na cabeça ,mais quando eu vou botar no papel não rola...

CA/HB: Peça de Teatro também não porque é o que já falamos, as histórias são pensadas para os quadrinhos. No teatro é mais o ator, o personagem que toma conta de tudo, E também não temos competência pra lidar com direção de arte porque uma coisa é você assistir uma peça outra coisa é você fazer. Tem pessoas que conseguem trabalhar bem com as duas linguagens, o que não é nosso caso nem é de nosso interesse.

T:Obrigado.

CA/HB:Obrigado,foi um prazer.

T:O Prazer foi meu.

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