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Transubstanciar Entrevista Marcatti


T:Estamos aqui com Marcatti ,pai do Frauzio e de vários outros personagens , tudo bem?

M:Tudo Bem.

T: De 2009 pra ca teve um BOOM de quadrinho independente no Brasil , isso é muito bom ,mas por um lado como você está a mais tempo nessa estrada quero saber sua opinião como autor isso ajuda,isso dificulta o trabalho ,ou isso cria um parâmetro pro pessoal seguir?

M:Eu vou me pegar num ponto que você falou , uma expressão que você falou assim durante toda a historía do quadrinho brasileiro desde 1800 e bolinhas lá,do final do século,o que aconteceu o quadrinho brasileiro viveu de BOOMS sempre,aconteceu um grande momento ,não foi uma grande era as vezes a gente trata alguns momentos da historía em quadrinho em alguns países , então no Brasil a gente não teve eras de quadrinho , teve BOOMS , eles sempre foram esses BOOMS , eu não entendo esse momento do independente como um BOOM,é uma das coisas que pessoalmente me chama atenção porque eu acompanhei ouve um BOOM do quadrinho de humor nos anos 80 com Chiclete com Banana , tal porque que eu diferencio porque assim as coisas estavam muito ruins e de repente BOOM surgem Chiclete com Banana que cria-se um parâmetro extraordinário e várias revistas vem na esteira ,e que de certa forma cria um problema que as revistas que não eram de humor como o Angeli passam uma certa dificuldade e esse é um BOOM,porque se você ver o BOOM que teve de quadrinho de terror no Brasil foi um BOOM extraordinário , vendia-se muito gibi de terror , fora isso não se vendia rigorosamente nada,o que acontece com o quadrinho independente foi uma série de fatores que determinaram que a produção aumentasse violentamente , mas não num aspecto de BOOM,foram criadas facilitadores para o autor se auto-produzir,essa grande facilidade ou por tecnologias barateadas ou por crowdfunds , financiamento coletivo , inspirou,forçou,criou plataformas pra que eventos fossem criados , gibiterias foram criadas,

paralelo a isso ,tem o nascimento do movimento de orgulho NERD,que antes ser Nerd era uma vergonha.

T:Entendi,eu sou da época que ser Nerd era uma vergonha.

M:Pelamor de deus ,isso é aquela coisa que fica pesado,hoje não é um orgulho,po que barato,seja o que for junta as duas coisas e criou-se um cenário possível e um cenário transparente bom,por isso que eu não chamo isso de BOOM,entao o que a gente está vendo aqui é uma proliferação de uma manifestação e como quadrinho independente não é uma forma de linguagem ,mas é uma forma de produção,o quadrinho independente não é necessariamente a mesma coisa ,então você não identifica o quadrinho independente como o meu não é ,um quadrinho nojento de humor,não quadrinho independente é quadrinho de todo tipo de coisa não se pode dizer que é BOOM, BOOM é de repente quadrinho de humor,quadrinho de terror,super-herói,entendeu?

T:Manga por exemplo teve um tempo atrás.

M: O Manga conseguiu se estabelecer por que ele não é necessariamente um BOOM,teve o seu BOOM mas ele vem numa onda de produção , de venda e de mercado,de público constante numa outra circunstância , entendeu.Então assim eu não entendo como um BOOM,eu entendo como algo que vai ter uma permanência consideravelmente longa.

T:Entendi,no caso que voce falou que seus quadrinhos tem um humor mais escatológico

estilo gangue do lixo,você teve alguma dificuldade no começo pra distribuição ou...

M:Sim,sempre muita dificuldade ,mas não necessariamente pelo tipo de humor , o tipo de humor sim sempre é uma barreira pra vender meus trabalhos em determinados lugares,em algumas lojas especilizadas em quadrinhos isso é uma barreira,mas como sempre minha profissão sofreu dificuldades , uma dificuldade a mais não é um peso que assuste ou que comprometa ou que crie traumas.

Eu acho sempre foi dificil o quadrinho de humor ,hoje tem uma certa dificuldade,ta vivendo um momento que o humor tá meio que pra escanteio que agora que está se levantando de uma forma muito legal,tenho visto muita coisa de humor sujinho,coisa que por exemplo no FIQ 2013 praticamente você não via quadrinhos de humor,hoje você ve uma grande quantidade de quadrinhos de humor é o escatológico meu,eu tenho visto muitas publicações que além de ser de humor é humor escatológico , nesse momento pra mim pode até ter uma abertura maior de mercado,são várias revistas ,não só aquelas merdas do Marcatti.

T:Entendi,É verdade.

T: E quanto agora a gente tá tendo um número crescente de meninas que estão fazendo quadrinhos de 2013 pra cá,tem surgido várias,tem surgido a Luh Caffagi,a Bianca Pinheiro que tá aqui também...

M:Eu acho fascinante ,quando eu começei a fazer quadrinho ,lá nos anos 70 fazer quadrinhos era uma coisa emblemático e motivo para várias teorias de porque é que mulher não faz quadrinhos ,era muito engraçado ,era um bando de homens que sempre conversava e o comentário geral era que não tem mulher fazendo quadrinho por que será isso?

E ai todo mundo tinha uma teoria sobre porque mulher não fazia quadrinho,então vira e mexe essa era uma discussão , então era incomum mesmo porque se você projetar o FIQ pros anos 80,70 você tem esse cenário, você não ia ver mulher aqui nem fodendo ,não existe , era a namorada de um desenhista ou era isso...de repente assim,eu tenho a minha teoria do que que ocorreu pra ter tanta mulher produzindo,eu to achando isso do caralho cara porque são produções extraordinárias e um altíssimo nível de qualidade e melhor do que isso e com diversidade ,a mesma diversidade que a gente sempre viu no quadrinho brasilero feito por homens nos anos 70 , 80 , imensa maioria de homens,hoje você ve que ele refletiu instantaneamente ,veio as mulheres mas estão fazendo Manga,não tem mulher fazendo de tudo , tambem e isso é muito legal,cara.

T:Isso na verdade é uma coisa que já vem vindo , dos Estados Unidos ,nos Estados Unidos desde 2008, se eu não me engano eles já tem um movimento grande a respeito disso tanto que a Gail Simone que vem aqui no Sabado e uma das porta-bandeiras do movimento e a Barb tambem que desenha a Batgirl atualmente , e uma das outras porta-bandeiras do movimento

mais nova e tá crescendo ,né , esse movimento tá crescendo em nível mundial.

M:É isso até serve de exemplo uma observação pessoal que você como eu falei cada um tinha sua teoria de porque não tinha mulher ,eu tinha minha teoria pro seguinte , quase cheguei a afirmar categoricamente que jamais teria uma mulher fazendo quadrinhos de super-herói quase cheguei a acreditar nisso,eu tendia a achar que o quadrinho de herói era um quadrinho masculino,se eu tivesse declarado essa minha lógica , eu taria com as pernas quebradas porque tem mulher fazendo herói o que mostra a diversidade e a penetração que elas estão se colocando entao eu acho que elas são super bem-vindas,cara são super bem-vindas.

T:E no caso atualmente a gente uma variedade muito grande tanto de quadrinho independente quanto de mainstream , a gente tem bastante Manga ou Manwa ,Fumetti,você acha que essa diversidade ela ajuda o trabalho,assim você teria interesse em fazer uma experiência com Manga?

M:Não,eu diria que o mais proveitoso porque o Brasil e um caso meio a parte , a diversidade do que se faz no Brasil não é muito comum em outros paises,mas entrando Manga que vem de fora ,não é o Frances fazendo Manga , quer dizer existem ,mas não é essa coisa,o Brasil é meio curioso neste aspecto porque a gente produz o que o mundo produz de uma forma quase igual ,uma quantidade de desenhistas de Manga,essa diversidade é meio incomum no resto dos paises,mas o grande proveito dessa diversidade quem deve tirar é o leitor ,isso se reflete como um privilegio ao leitor , então o fato do Brasil ter uma produção diversa é porque eu faço coisas diferentes de outras pessoas que fazem coisas diferentes de outras pessoas,se transportar essa diversidade para o meu trabalho tudo que eu fizer ,eu faço uma linha de heróis e uma linha de Mangas,essas duas coisas serao obviamente falar com sotaque,

sao carregadas de coisas contaminadas,porque o leitor de herói vai destestar o meu herói,e o leitor de Manga vai ficar meio assim com o meu Manga,entendeu?

T:E na Europa eu sei que eles tem mais uma produção normal e agora ta entrando com forca ,Manga essas coisas,nos Estados Unidos ,Sim,não,Entendi.

M:O Grande proveito da diversidade e pro leitor e não pro autor.

T: E no caso voce já pensou em transformar um dos seus quadrinhos em Animação?Mesmo que seja adulta?

M:Isso é uma tara antiga,um desejo antigo , já fiz nos anos 80 , fiz um desenho animado sozinho em Super 8 , mas é uma coisa extremamente trabalhosa,entao assim adoraria ver o meu quadrinho em desenho animado , isso acho que é o desejo de todo quadrinista,mas eu não me vejo fazendo, porque como eu fiz um de 3 minutos que me levou 2 anos , em 2 anos eu poderia ter feito muitos gibis , se houver algum dia ,alguma produtora que queira fazer um desenho animado ,eu ia ficar muito feliz!mas , com certeza ,eu não vou capitanear o projeto por conta da produção.

T:E porque agora tá crescendo bastante ,porque surgiu o projeto do Goon do kickstarter que é basicamente,um quadrinho de herói,mas tem sacanagem no meio e violência bastante e eles pegaram colocaram no kickstarter e funcionou , eu não sei ainda como vai ser a questão de venda,provavelmente eles vão ter alguns problemas pra vender isso,pra distribuir,mas é uma ideia que fica ai quem sabe , você não solta um catarse ou você não da ,se você fizer o character sheet que é aquele modelinho pro cara seguir as vezes é alguma coisa que vale a pena,

M:Pra distribuir ,ne? mas,eu teria que capitanear de qualquer forma,mesmo que eu faça isso,

não ,mas o que eu quero dizer é o seguinte , eu capitaneando,mesmo que eu não desenhe todo,durante a produção do desenho animado , eu vou ficar envolvido com o desenho animado,e isso leva tempo,meu grande foco é produzir no papel.

Entao assim,na melhor das hipoteses,eu seria um consultor de uma produção,eu taria acompanhando e vendo a produção,dando palpite no roteiro,porque capitanear,produzir e dirigir um desenho animado é a mesma coisa que seu eu tivesse fazendo ele do zero.

Nao é a produção mecanica que me incomoda ,é a dedicação a ela.

E É uma dedicação longa,não seria um filme de 3 minutos seria um longa ,media-metragem dai vai tomar 2 anos da sua vida,dai pra mim,não funciona porque eu quero fazer quadrinho.

T:Entendi,no caso tambem gibis voce ja digitalizou eles?

M:Isso é uma ideia antiga,mais é tambem um pouco de falta de tempo,meu projeto é colocar toda minha produção de toda minha disponibilizada pra download pra ser lido gratuitamente na internet sem custo,porque eu sou um cara do papel,eu entendo o meu leitor tambem como um cara do papel,e eu vejo isso não como concorrente do papel,mais um estimulante a mais pros leitores do papel a virem pra mim,quer dizer eu não vejo nenhum tipo de ameaça,não fiz ainda rigorosamente por falta de tempo,adoraria ter colocado já boa parte disso disponibilizada porque eu vejo que o meu trabalho funciona melhor no papel,meu traço funciona melhor no papel,a linguagem funciona melhor no papel,por vários motivos,pretendo um dia estar fazendo.

T:Obrigado.

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